Como emagrecer e perder barriga

Agora que você já sabe se tem excesso de peso e quais as causas, o que fazer ?

O primeiro passo é entender que não existe um método único de emagrecimento para todos os casos. Como já vimos, a obesidade é uma doença de múltiplas causas. O tratamento ideal vai depender das características de cada um.

Como escolher o melhor tratamento.

O primeiro ponto a considerar é a gravidade do excesso de peso. Analisando uma série de 439 pacientes que procuraram um tratamento médico para emagrecer, observe como eles se distribuem, conforme seu índice de massa corporal (IMC). Veja no fscículo 1 como calcular o IMC.

Faixa de IMC

imc
Faixa de IMC

Podemos observar pelo gráfico que grande parte das pessoas que procuram um tratamento médico para emagrecer encontram-se na faixa de peso considerada normal (100 pacientes em 439, ou 23%).

Estavam na faixa chamada de pré-obesidade 145 pacientes (33%), estando 144 (33%) distribuídos entre as classes I e II de obesidade. Na faixa da obesidade classe III encontramos 49 pacientes (11%), correspondendo ao que se chamava anteriormente de obesidade mórbida.

Com base no IMC, é desta forma que os principais consensos e diretrizes internacionais de tratamento recomendam que o excesso de peso seja tratado.

O MODELO PIRAMIDAL DE TRATAMENTO DA OBESIDADE

Com base nestas diretrizes, adotadas pela Força Tarefa Internacional de Obesidade e pelo Consenso Latino-Americano de Obesidade, propusemos o modelo piramidal de tratamento da obesidade, que tem como principal objetivo enfatizar as diferenças nos tratamentos recomendados conforme a gravidade do excesso de peso e a tendência genética estimada para aquela pessoa que vai se tratar.

obesidade
Tratamento da obesidade: Modelo Piramidal

Mais ou menos 50% dos pacientes precisam de um tratamento voltado para uma reeducação alimentar e uma prática regular de atividades físicas. Teoricamente são aqueles com um excesso de peso discreto, seja na faixa considerada normal, ou na faixa entre 25 e 30 sem complicações do excesso de peso (diabetes, colesterol alto ou hipertensão arterial).

Cerca de 40% deles vão precisar de medicamentos, porque já têm um risco aumentado de doenças associadas com seu excesso de peso. São aqueles com IMC entre 25 e 30 com diabetes, colesterol alto ou hipertensão arterial, além dos situados entre 30 e 40 de IMC.

Do total de pacientes, mais ou menos 10% têm um IMC maior que 40, condicionando um risco altíssimo de complicações. Para estes, assim como para os situados na faixa entre 35 e 40 de IMC com diabetes, hipertensão arterial ou aumento de colesterol, recomenda-se atualmente a cirurgia para emagrecer, desde que o tratamento clínico não leve a resultados satisfatórios.

O que é fundamental ressaltar neste conceito de tratamento piramidal é que, à medida que nos movemos da base para o ápice da pirâmide, aumenta não somente a gravidade do excesso de peso, mas aumenta muito, também, a probabilidade de que esta pessoa tenha uma maior tendência genética para a obesidade.

Obesidade Genética e Obesidade Ambiental

A estimativa da tendência genética que uma pessoa tenha para engordar vai ser fundamental na definição da estratégia a ser adotada no seu tratamento.

Algumas características simples podem servir como um bom indicador desta tendência genética. Através dela podemos caracterizar, para fins práticos, um determinado indivíduo como obeso genético ou obeso ambiental.
São características da obesidade genética:

  1. Outros casos de obesidade na família. Logicamente é um dado importante, pois quando ocorre a obesidade entre parentes próximos é muito mais provável que a pessoa tenha herdado genes de predisposição para o ganho de peso.
  2. Maus resultados em tratamentos anteriores. O obeso genético geralmente conta que, quando tentou emagrecer antes, encontrou muita dificuldade. A perda de peso era obtida com muito sacrifício e, por qualquer descuido, rapidamente o peso era recuperado.
  3. Início precoce do problema de peso. Em geral o obeso genético começa a lutar contra o peso ainda muito jovem, freqüentemente na infância.

A obesidade ambiental, em contrapartida, tende a apresentar as seguintes características:

  1. Nenhum ou poucos casos de obesidade na família, em geral com excesso de peso moderado.
  2. Bons resultados em tratamentos anteriores, mas depois de uma boa perda de peso a pessoa se descuida, volta a comer errado, pára com a atividade física e engorda novamente.
  3. Início mais tardio do problema de peso. O obeso ambiental geralmente começa a engordar em conseqüência de algum fator desencadeante. Os mais freqüentes são: gestação, puberdade, casamento, menopausa, interrupção de atividade física, uso de medicamentos ou interrupção de tabagismo.
obeso genetico

Qual a importância prática de dividir os obesos em genéticos e ambientais?

Vejamos um exemplo do conceito de obesidade genética aplicado na prática. Se um obeso ambiental precisar de um remédio para ajudá-lo a emagrecer, este remédio pode ser usado, por exemplo, durante uns 6 meses. Se, neste período de tratamento, o paciente consegue mudar efetivamente seus hábitos de vida, passando a praticar atividades físicas regularmente e a comer de forma saudável, este medicamento poderá ser retirado sem que ocorra recuperação do peso perdido. Se o paciente for um obeso genético, provavelmente ele precisará do remédio por tempo indeterminado, porque, interrompendo, terá uma grande probabilidade de recuperar todo o peso perdido.

QUAL DEVE SER O OBJETIVO DO TRATAMENTO?

Emagrecimento sustentável

De nada adianta alguém começar um tratamento para perder barriga rápido se este plano não prevê como vai ser feita a manutenção do peso. A maior parte das pessoas que perdem peso voltam a engordar depois, principalmente porque não foi planejada desde o início uma estratégia de manutenção do peso saudável.

É é aí que acontece o efeito ioiô. São repetidos ciclos de emagrecimento e engorda, que só fazem aumentar os riscos para a saúde da pessoa e tornar cada vez mais difícil a perda de peso.

Novas metas e novos prazos

A estratégia moderna de emagrecimento também reformulou as metas e os prazos dos antigos tratamentos para emagrecer.

Antigamente se tentava chegar ao que se chamava de peso teórico ideal, que era calculado através das tabelas de peso e altura elaboradas por companhias de seguro norte-americanas. Sabe-se hoje que eram metas irreais, que quase sempre acabavam em fracasso, porque nas poucas vezes em que se conseguia chegar ao chamado peso ideal, dificilmente se conseguia mantê-lo.

Atualmente se sabe que perdas de 5 a 10% do peso inicial podem ser suficientes para produzir uma grande melhora no metabolismo.

Logicamente estas perdas modestas muitas vezes serão insatisfatórias, mas cada caso deverá ser analisado cuidadosamente para estabelecer-se já no início do tratamento qual será a meta a ser atingida.

Qual a importância prática de dividir os obesos em genéticos e ambientais?

Vejamos um exemplo do conceito de obesidade genética aplicado na prática. Se um obeso ambiental precisar de um remédio para ajudá-lo a emagrecer, este remédio pode ser usado, por exemplo, durante uns 6 meses.

Se, neste período de tratamento, o paciente consegue mudar efetivamente seus hábitos de vida, passando a praticar atividades físicas regularmente e a comer de forma saudável, este medicamento poderá ser retirado sem que ocorra recuperação do peso perdido. Se o paciente for um obeso genético, provavelmente ele precisará do remédio por tempo indeterminado, porque, interrompendo, terá uma grande probabilidade de recuperar todo o peso perdido.

QUAL DEVE SER O OBJETIVO DO TRATAMENTO?

Emagrecimento sustentável

De nada adianta alguém começar um tratamento para emagrecer se este plano não prevê como vai ser feita a manutenção do peso. A maior parte das pessoas que perdem peso voltam a engordar depois, principalmente porque não foi planejada desde o início uma estratégia de manutenção do peso saudável. É é aí que acontece o efeito ioiô. São repetidos ciclos de emagrecimento e engorda, que só fazem aumentar os riscos para a saúde da pessoa e tornar cada vez mais difícil a perda de peso.

Novas metas e novos prazos

A estratégia moderna de emagrecimento também reformulou as metas e os prazos dos antigos tratamentos para emagrecer.

Antigamente se tentava chegar ao que se chamava de peso teórico ideal, que era calculado através das tabelas de peso e altura elaboradas por companhias de seguro norte-americanas. Sabe-se hoje que eram metas irreais, que quase sempre acabavam em fracasso, porque nas poucas vezes em que se conseguia chegar ao chamado peso ideal, dificilmente se conseguia mantê-lo.

Atualmente se sabe que perdas de 5 a 10% do peso inicial podem ser suficientes para produzir uma grande melhora no metabolismo. Logicamente estas perdas modestas muitas vezes serão insatisfatórias, mas cada caso deverá ser analisado cuidadosamente para estabelecer-se já no início do tratamento qual será a meta a ser atingida.

A velocidade recomendada para o emagrecimento também foi reduzida. Considerava-se bem sucedido antes um tratamento que produzisse 5 a 7 quilos de perda de peso por mês. Sabemos hoje que estas perdas rápidas freqüentemente se acompanham de uma considerável diminuição da massa muscular, o que é altamente indesejável. Nosso gasto metabólico de repouso diminui se perdemos músculo, o que aumenta muito o risco de recuperação de peso em quem emagrece perdendo músculo. Para evitar que isto ocorra, 3 conselhos podem ser úteis:

  1. Evitar restrições alimentares muito rigorosas, principalmente nas dietas de moda;
  2. Praticar exercícios físicos regularmente;
  3. Evitar perdas de peso muito rápidas.

Consideramos recomendável uma média de perda de peso entre 2 e 4 kg por mês. Em geral perde-se mais no início do tratamento. Naturalmente existem exceções, em que pode estar indicado um emagrecimento um pouco mais rápido.

Estas recomendações se aplicam, logicamente, aos tratamentos clínicos para perda de peso. No caso dos tratamentos cirúrgicos, perdas bem mais rápidas são atingidas, além de um emagrecimento final que pode chegar a uma média de 40% do peso.

Vejamos agora quais são os principais avanços em cada modalidade de tratamento citada no modelo piramidal – mudanças comportamentais, medicamentos e cirurgia.

Plano alimentar ao invés de dieta

Vários estudos científicos já demonstraram que o que realmente funciona a longo prazo é a mudança de hábitos alimentares. De nada adianta seguir-se esta ou aquela dieta e depois de algum tempo voltar a comer errado. Fatalmente engorda-se tudo de novo. Por vezes até mais do que se tinha perdido.

Mais adiante vamos explicar em detalhes quais são os princípios de um plano alimentar moderno.

Atividade física em vez de sofrimento físico

Considera-se hoje mais recomendável um hábito regular de atividades físicas, ainda que informais, como passear, dançar e cuidar do jardim. Enfatiza-se cada vez mais o prazer na atividade física, para que ela se torne um hábito.

Muita gente se sacrifica fazendo determinadas ginásticas sem gostar e acaba abandonando depois de algum tempo. É fundamental descobrir o tipo de atividade que lhe dá mais prazer, para que ela se transforme em um hábito. Em outro fascículo explicaremos como iniciar uma atividade física e que tipos de exercícios e esportes mais podem contribuir para o emagrecimento e a manutenção do peso saudável.

Remédios em vez de “bombas”

Quanta gente não se lembra de ter passado muito mal com algum remédio para emagrecer, muitas vezes com fórmulas que pareciam mágicas. Isso agora mudou.

Os medicamentos modernos para perda de peso dão muito menos efeitos colaterais e são muito mais seguros. No fascículo sobre remédios você conhecerá todos eles – os modernos e os mais antigos.

Cirurgias que não mutilam

Para os grandes obesos a cirurgia representa hoje um tratamento eficaz e cada vez mais seguro.

No fascículo sobre as cirurgias para emagrecer você encontrará explicações ilustradas sobre as técnicas mais modernas para o tratamento da obesidade maior.

COMO EVITAR A RECUPERAÇÃO DO PESO PERDIDO?

A maior parte das pessoas que conseguem emagrecer acabam recuperando tudo que perderam. Em alguns casos, engordam mais do perderam com o tratamento. Para evitar que isto aconteça, é muito importante que se planeje desde o início do tratamento uma estratégia para manutenção do peso.

Ela deve basear-se principalmente em mudança de hábitos alimentares, desenvolvimento de novos hábitos de atividade física e, quando necessário, no uso de remédios.

Hábitos alimentares:

De nada adianta seguir-se uma dieta durante algum tempo, perder peso e depois voltar aos erros alimentares antigos. Com certeza o resultado do emagrecimento será perdido e o problema do peso será cada vez mais difícil de combater.

O tratamento bem sucedido a longo prazo baseia-se em mudanças permanentes dos hábitos alimentares. Nos fascículos 3 e 4 veremos o que se deve fazer para desenvolver-se um hábito alimentar saudável.

Atividade física:

O excesso de peso está intimamente relacionado com o sedentarismo. O desenvolvimento de novos hábitos de vida, com uma ênfase maior na prática de atividades físicas, é um passo fundamental para a manutenção de um peso saudável.

E não se trata apenas de fazer exercícios. A atividade física informal também conta. Cuidar do jardim, passear com o cachorro, caminhar até o trabalho, tudo isso conta no combate ao sedentarismo e certamente ajudará na manutenção de um peso saudável.

Remédios:

Antigamente eram chamados de “remédios para emagrecer”. Hoje ganharam o nome pomposo de “agentes anti-obesidade”. Mas uma importante mudança estratégica está por trás deste novo nome. Hoje eles também são usados para ajudar na manutenção.

Na prática, o que costumava acontecer – e freqüentemente ainda vemos este erro – era a pessoa interromper o uso do remédio assim que atingia seu objetivo de peso. Geralmente o peso é recuperado, porque o uso do medicamento foi interrompido justamente na fase em que o organismo está com vários mecanismos de recuperação de peso ativados.

Outro engano freqüente é parar de tomar o remédio só porque a fase de emagrecimento terminou. É o chamado platô, quando, depois de perder algum peso, a pessoa vê seu peso estabilizar-se apesar de todos os esforços para emagrecer mais. Deve-se considerar nestes casos a possibilidade de que o medicamento esteja sendo útil na manutenção do novo peso, apesar de não se estar conseguindo nenhum emagrecimento adicional. É comum a interrupção do remédio, nestas circunstâncias, fazer a pessoa recuperar peso.